Mar Adentro

                                                                                                                                  *Ariana Zahdi

Vento
Tua boca em minha orelha
Brisa que me levanta os pelos
Dos braços
Das pernas
Sopro

Arrepio de pés pisando o mar
Tuas mãos na minha pele
Minha pele no teu corpo

Marolas de calor
Águas vivas
Tua boca
Na minha boca

Ondas leves na areia
Nos aprofundamos no mar

Ele nos carrega
Arrasta
Enrosca
E como quase náufragos
Nos agarramos um ao outro
Para não tombar

Pés
Pernas
Braços
Língua
Boca
Boca
A minha na tua crista ilíaca
Teus dentes nas minhas coxas

E o vento quente
E a água morna
E somos barco

Você, mastro
Eu, vela
Você me ergue
Eu te navego

E o balanço do mar
E o chacoalhar das ondas
E o céu escurece
E o vento aumenta
E o barco balança
Balança
Balança

Já não respiramos mais
Coração de ondas batendo no casco
E a tempestade que chega

Peito
Mãos
Suor
Saliva

Minha onda quebra
E sou espuma
E você é ressaca
Que me inunda e recolhe

10 comentários:

Ariana Zahdi disse...

Obrigada pelo convite e pela acolhida!

Patrícia Marques disse...

Um belo texto! Parabéns Ariana!
Que o convite se transforme em permanência. Meus olhos se encherão de alegria em ver suas palavras mais vezes por aqui! Que seja o primeiro de muitos!

Má Abreu disse...

Lindo, lindo!
"Você, mastro
Eu, vela
Você me ergue
Eu te navego"
De uma sensibilidade incrível!

krokodilo disse...

Que coisa mais deliciosa...
Uma viagem delicada por esse mar imenso!
Lindo, surpreendente!

Ligia Braz disse...

Grande Ariana
Vamos lá, viajar...
Adorei!

Nei Duclós disse...

Poesia que nos leva, nos navega, no balanço da palavra prazerosa e terna. Maravilha!!

Leo disse...

Não sei o que gostei mais: voce, mastro. eu, vela. ou do eu sou espuma e você é ressaca.
Parabéns pelo blog, parabéns Ariana pela delicadeza...

Fabiola disse...

Lindissima poesia..
Para navegar é preciso maestria,conhecimento dos proprios ventos e ondas...Nem sempre é necessario conhecer a chegada, mas gostei de sua "partida"....Vezenquando é preciso navegar: mais que voar....

Maria disse...

Lindo, delicado e tão sensível!! Enquanto lia sentia como se tivesse no mesmo movimento das palavras, do vento, do mar...
Parabéns Ari! Amei!!! Just keep writing!

Fabrício Franco disse...

E o que nos resta, afinal, senão voar? Iça-me!

Beijos!