Sobre os Contos maringaenses

Foto de Raoni W. Arroyo
Ontem, dia 24/8/10, o Marcos Peres e o Michel Roberto foram entrevistados pelo jornal O Diário de Maringá sobre o projeto "Contos maringaenses". A matéria que saiu no jornal pode ser vista parcialmente na edição on-line.

Transcrevemos a seguir as respectivas entrevistas.

@odiario - Por que participar do projeto "Contos Maringaenses"? Com quantos contos você já participou?


@MarcosPeress - Hoje em dia, um escritor iniciante não tem muitas portas abertas. As editoras querem os Best-sellers, a maioria dos concursos literários não tem tanta credibilidade. Mesmo os blogs e o twitter não são ferramentas ideais para a leitura de contos longos ou romances. O Projeto Contos Maringaenses é ideal para isso. Une os jovens escritores. Todos escrevem, todos são lidos, todos dão palpites, sugestões... um projeto que fomenta ler e escrever, vindo dos próprios escritores. Tenho certeza que isso é inédito em Maringá.  


@odiario - Qual a importância de um projeto como esse?

@MarcosPeress - Primeiramente, a união dos escritores. Moro em Maringá e, pelos Contos Maringaenses, conheci escritores muitos bons, aqui do meu lado! Outro fato louvável é a total independência do projeto. Não temos vínculo com academias literárias, uma vez que estas pressupõem tradição e continuísmo enquanto nosso projeto sinaliza inovação, seja de costumes, de letras, de mídia utilizada...  Não temos vínculos com incentivos à cultura nem com qualquer editora. Nosso único vínculo é Maringá; jovens de Maringá escrevendo suas opiniões próprias sobre Maringá.
O projeto de inovação é tamanho que Marcelino Freire e Carpinejar queriam alterar o próprio nome do projeto, alegando que “Contos Maringaenses” soa muito acadêmico, como uma antologia dos escritores tradicionais. Em uma mesa de bar, Marcelino optou por nomes radicais e queria até que o projeto fosse batizado com o nome de uma prostituta da cidade. Em seu twitter, divulgou que aqui sairia um livro chamado Gagá, de jovens porretas e que faria sucesso. É esperar pra ver...   
@odiario - Você é um dos idealizadores e como vê o crescimento do projeto e o  envolvimento de outros jovens autores?


@MarcosPeress - O idealizador é o Michel Roberto que correu atrás dos escritores, estabeleceu o prazo, cobrou todo mundo e agora ajuda na arte do livro. E então o projeto foi crescendo com suas próprias pernas. Pelo boca a boca, os escritores descobriram, divulgaram, mandaram contos. Criamos um blog dos escritores para divulgar o livro e o trabalho individual de cada um. O resultado foi melhor que eu podia imaginar. Não imaginei que existissem tantos jovens escritores em Maringá.





@odiario -  Quando o e-book deve ser lançado? Como será divulgado? Tem uma previsão de quantos contos e contistas?




@MarcosPeress - O livro terá uns 12 ou 14 contistas. E imagino que, em Setembro ou Outubro, o livro estará na rede, pronto para todos os maringaenses prestigiarem o futuro das letras de nossa terra.


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@odiario - Como surgiu a ideia de fazer o projeto "Contos Maringenses"?

@michelrosouza - A ideia dos contos maringaenses não surgiu da noite para o dia. Creio que ela foi surgindo com o passar do tempo. Acontece que eu acessava blogs de maringaenses que escreviam contos, poesias, entre outras coisas. Eu via que naqueles textos havia alguma identidade com a própria cidade, só que isso não estava focalizado talvez. Aí, então, quando estava em São Paulo na casa de um amigo, me perguntaram sobre Maringá, o que tinha de bom em Maringá. Na hora, me veio um monte de coisas para dizer, mas acabei dizendo que era uma cidade pacata, com um verde exuberante. Mas Maringá não é só isso, já é uma cidade complexa, apesar de ser do interior. Creio que foi assim que surgiu a ideia, que na verdade, foi um desafio que fiz a alguns amigos e que, por causa da internet, está crescendo.

@odiario - Como é o projeto?

@michelrosouza - O projeto incial é muito simples: fazer um livro de contos que estejam ligados com Maringá, incidentalmente ou acidentalmente, como diz o Bruno Vicentini. Só que não queremos gastar dinheiro com isso e também pensamos que o acesso do público é fundamental, não há intenção de lucro. Algo que se faz escondido, que se impõe a barreira do dinheiro, obviamente não está acessível a todos. Nesse contexto, a ideia do ebook gratuito é sensacional.

@odiario - Quem são os idealizadores? 

@michelrosouza - Bem, a coisa começou mesmo com a troca de alguns emails entre Marcos Peres, Bruno Vicentini, Rafael Zanatta, Felipe Spack, Guilherme de Paula, e a coisa foi crescendo.  Depois, com o blog, que dá "apenas uma palhinha da coisa", angariamos outros colaboradores (Nelson Alexandre, Flauzino, Thays Pretti, Wilame Prado, entre outros) que abraçaram o projeto de uma forma incrível. Nesse aspecto, também vale citar o apoio que veio em forma de uma sugestão muito interessante, apesar de não ter sido adotada ainda, do Marcelino Freire, quando recentemente passou por Maringá, de mudar o nome do livro para "Gagá, os novos escritores que já nasceram velhos." Talvez seja mais uma semente.

@odiario - Por que fazer um livro virtual com contos sobre Maringá?

@michelrosouza - São várias formas de ser ver Maringá. Nessa resposta, coloco aqui as palavras de Marcos Peres, em um dos posts do blog, entitulado "Em busca de Maringá perdida":

"A razão de ser de todos esses autores é a mesma que temos: de alguma forma podermos responder nossa Cidade, esse organismo que acolhe, alimenta, afaga e repele, com sua ruas planejadas, seus incessantes carros, suas arvores e seus habitantes. [...] Por inquietação, por agradecimento, por rebeldia, menos por indiferença, respondemos à Maringá. Mesmo que incidentalmente. Ou... bom, vocês já sabem."

@odiario - Qual a sua opinião sobre a internet como forma de divulgar a literatura e como forma de divulgar o trabalho de novos autores?

@michelrosouza - A internet é fascinante, essa possibilidade de conhecer milhares de coisas novas e não só isso, de interagir com todas essas coisas. Nesse sentido, é uma ferramenta potencializadora dos autores.

@odiario - Como tem sido o envolvimento de leitores e a procura de leitores?

@michelrosouza - Bem, o acesso ao blog está muito bom. Pessoas que jamais imaginei já vieram comentar comigo sobre o projeto e alguns até querendo entrar. Isso nos deixa extremamente satisfeitos. Claro que nem todos para elogiar, o que, de certa forma, é ótimo. Creio que com o lançamento do ebook, teremos mais alguns leitores.

@odiario - Existe algum tipo de seleção do material enviado ou todo conto recebido é publicado? Por que?

@michelrosouza - Para o blog não. Para o ebook sim. A seleção feita se deve ao fato de este ser um "livro temático", ou seja, se fugir do tema, zera no vestibular.

@odiario - Você já publicou contos anteriormente? Costuma escrever muito? Publicou nessa antologia?

@michelrosouza - Publico alguns comentários impertinentes no meu blog, mas nada que valha perder um tempo. Confesso que não escrevo tanto, mas para esse livro, escrevi sim um conto. Se eu não aceitasse meu próprio desafio, seria complicado!

@odiario - Existe uma vertente de estudiosos que acredita que os livros virtuais, com a popularização do iPad e do Kindle, vai extinguir o livro impresso. Qual a sua opinião?

@michelrosouza - Não importa muito se o livro é impresso no papel, se é on line, se é escrito na parede ou ainda se é em forma de saquinho de pão, como já vi num projeto do SESC. O importante é poder captar a ideia, pensamentos, sentimentos, o que quer que seja que o autor tenta passar através das palavras. Creio que Machado de Assis será sempre Machado de Assis, independentemente do formato. Essa é mais uma questão para a indústria. O que acontece é apenas uma outra forma de se ler o livro, mais condizente com a nossa realidade que está se tornando cada vez mais virtual. Mas a minha opinião vai no sentido de que o livro impresso não vai se extinguir, assim como os vinis e os cds ainda estão aí.

2 comentários:

Raoni disse...

@ordinario,

dá próxima vez, agradeça aos entrevistadores. caso contrário, abre-se a possibilidade da interpretação dual: de que o jornal faz um favor ao entrevistado e não somente o contrário.

Michel Roberto disse...

Que isso! O repórter foi simpático até! Só não colocou a sua foto no jornal, mas tá aqui no blog!