ESSE AMOR FALSO QUE RENEGO ATÉ O FIM

*Nelson Alexandre

Se deus me quiser como seu filho
Ele mesmo com seu amor de pai que me estenda a mão
E faça o grande favor de calar a boca de seus intermediários
Que no fundo, apenas, tem a sensibilidade das patas
De um elefante tocando cravo.

Desde a sua gênese, a do mundo, claro,
Existem anarquistas
Putas
Viados
Bêbados
Materialistas
Puxa sacos
E covardes
Todos obra de sua magnífica sabedoria
De nos colocar no mesmo saco de farinha
Sem nos misturarmos.

Por isso antes mesmo da abertura da greta da criação
Do cu do mundo
Antes veio o verbo
E com ele uma tonelada de ternura e também de merda
Pois é assim que em sua incomensurável misericórdia
Que ele escolhe quem é bom pra falar
E quem apenas tem de ficar quietinho escutando umas boas
E impactantes verdades em seus dois penicos encefálicos.


Acoites podem muito bem marcar as costas desses falastrões
Pois o fizeram muito bem feito ao seu maior bem feitor
Num madeiro
E se o pobre homem viesse humilde novamente pregar o amor
Seria parafusado com mais intensidade
Pois seus intermediários nazistas jamais conheceram esse sentimento
Conhecem sim
A ignorância
A intolerância
A raiva
A cólera
O preconceito
A indiferença
A admoestação
E, sobretudo, o sentimento de isolar seu irmão
E taxá-lo como inimigo do pai
Bem orientado
Pela inveja do filho mais velho para com relação ao mais novo.

Putaria à parte
Fico com meus tragos e cigarros
Fico com meus filmes de Lúcio Fulci
Zé do Caixão
Mário Bava
Wes Craven
Alexandre Aja
George Romero
E afins.


Na magnitude do sol nascendo todos os dias
Tenho meu direito de amarrar o cadarço do meu tênis
E praguejar mil vezes se eu quiser
Pois mando bala é em gente que come feijão
E caga em banheiro sujo
Igual a mim
E não em divindades celestes que não estão nem aí
Se fulano de tal fumou ou não um baseado
Se ele ou não mamou nos ovos do padre ou do pastor,
Ou de qualquer “semideus” que tenta apontar pra sua fuça
E te chamar de parido e rejeitado enquanto dá uma boa bolinada
Na xoxotinha da irmãzinha de 13 ou 14 anos.

Eu vou pro inferno?
Tomara que encontre Jerry Lee Lewis tocando
Great Balls Of Fire
Pra esquentar mais a vida sem graça desses lunáticos
Que pregam intolerância e ódio
Cantando mais desafinado do que araponga em gaiola de oficina mecânica
Em dias de chuva de meteoros
Em suas funções cognitivas desajustadas
Em suas suásticas marcadas a ferro em seus traseiros
De gado velho e viciado.

Se deus me quiser como filho ele me estenderá a mão
E não precisarei de ninguém pra me indicar o caminho
Pois minha estrada sempre foi sem pavimentação
Sempre foi picada na mata
Sempre foi como eu quis
Sofrendo ou não
Sempre foi como deus me permitiu
Sempre foi do Cáucaso aos limites da abóboda celeste
Sempre foi um coração exposto por inteiro
E nunca pela metade.

Um comentário:

Marciano Lopes disse...

Puta texto, almirante! Como já te disse,sua verve está mais para a poesia do que para o conto. Caso desse texto. E que puta texto! Parabéns! (Marciano Lopes)