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Entende?

*Alexandre Gaioto

Se eu disser a verdade
Tudo isso aqui é verdade
Você ficaria puta comigo?
De verdade mesmo?
Te afastaria para sempre
-ou pelo contrário
Mais próxima ainda debaixo da pele
Sem ter descanso nem como extirpar
É daqui desse silêncio
Dos porres
Não suporto suas ressacas
(você sempre diz)
Das noites
Que afogam o tédio
E dão vida
É esse cheiro
(que seu olfato ignora)
Dói o arrependimento não vivido
Sóbrio no retorno para casa
(não falta alguma coisa?)
No último verbo mais um conhaque
Bob Dylan com Stones
Que tal um baseado?
-por que não?
Porque basta porra
(você sempre diz)
As melhores coisas da vida
(respondo)
Fiz quando estava bêbado
As piores coisas da vida
Fiz quando estava bêbado
Até o momento
(uma pausa)
As melhores coisas da vida
Sem dúvida
Valeram todas as cachaças ainda não bebidas
Valeu acordar de porre no meio da rua no sábado de manhã
Caçar brigas com escrotos em repúblicas
(e não foi divertido?)
Ver seu próprio pau morto na cama sim
(isso me dá raiva)
-das mulheres que o Presidente me abateu
(Camila Angélica Sara e outra que não lembro o nome)
Então
Agora
De ressaca
Estou na sua frente
Você sente esse grito às dez da noite?
Como dizer?
Meu Deus
Entende?
Sou apenas eu

Alexandre Gaioto, um canalha

* Texto de Wilame Prado, publicado originalmente em seu blog em O Diário.


Quem já teve a oportunidade de conhecer o Alexandre Gaioto, 22 anos, formado em Jornalismo e Letras, repórter de O Diário, não tem dúvidas: ele realmente é um canalha. Mas um canalha gente boa! “Canalha”, aliás, é como Gaioto chama gentilmente seus colegas. Quando inspirado, gosta de chamá-los também de “calhordas”.

Detentor de um texto conciso, claro e ousado, quando escritor, Gaioto investiga as podridões que estão escondidas em nossa Maringá, uma cidade que, de dia, enche-se de capa e perfumes importados do Paraguai, mas, que de noite, madrugada ou no amanhecer, transfigura-se.

É quando os personagens de Gaioto – ladrões, anões, prostitutas, desdentados, pedófilos, feios, toscos, crianças molestadas – ganham vida em casas de prostituições, ruas daquele bairro pobre, em Sarandi, perto do Bar do Vermelho, em pontos de ônibus, dentro da circular ou até mesmo naquele bosque movimentado da cidade.

Possuidor de uma verve jornalística que não poupa distâncias geográficas e nem solas de sapato (Gaioto já foi atrás do Chico Buarque em Goiás, bisbilhotou a vida e trocou palavras com o Dalton Trevisan em Curitiba, bateu um papo, no Rio de Janeiro, com o Rubem Fonseca e, mais recentemente, entrevistou o Lourenço Mutarelli em São Paulo em seu próprio apartamento), quando jornalista, Gaioto produz reportagens sem temer a primeira pessoa jamais e que, justamente por isso, presenteia seus leitores com muita sinceridade, veracidade e, graças às técnicas do jornalismo literário, textos saborosos de se ler.

Alexandre Gaioto e sua produção incansável de contos, crônicas, resenhas literárias e reportagens você só se encontra no blog deste canalha! Eu recomendo!